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Dor de garganta em crianças: vírus ou bactéria?

Dor de garganta em crianças: vírus ou bactéria?

Saiba como diferenciar dor de garganta viral e bacteriana em crianças, quando o antibiótico é necessário e quais sinais indicam que é hora de ir ao pediatra.

Dor de garganta em crianças: vírus ou bactéria?

A dor de garganta é um dos sintomas mais frequentes na infância e também um dos que mais geram dúvidas nos pais. A principal delas é sempre a mesma: precisa de antibiótico? A resposta depende de uma distinção fundamental que muitos desconhecem. A maioria das dores de garganta em crianças é causada por vírus, e os vírus não respondem a antibióticos. Uma minoria é causada por bactérias, principalmente o Streptococcus pyogenes, e aí sim o tratamento com antibiótico é necessário e importante.

Fazer essa distinção corretamente evita o uso desnecessário de antibióticos, previne resistência bacteriana e protege a criança de medicamentos que não vão ajudá-la. Neste artigo você vai entender como diferenciar os dois tipos, quais sinais orientam o diagnóstico e quando o pediatra precisa ser consultado.

ÍNDICE DO CONTEÚDO

  1. O que é faringite e amigdalite
  2. Qual a diferença entre causa viral e bacteriana
  3. Como identificar os sintomas em crianças
  4. Sinais que sugerem origem viral
  5. Sinais que sugerem origem bacteriana
  6. Como o diagnóstico é confirmado
  7. Quando o antibiótico é indicado
  8. Como aliviar os sintomas em casa
  9. O que é febre reumática e por que preveni-la
  10. Amigdalite de repetição e quando operar
  11. Erros comuns que pais cometem
  12. Sinais de alerta que exigem avaliação imediata
  13. Atendimento pediátrico no Entorno do Distrito Federal
  14. Conclusão
  15. Perguntas frequentes

O QUE É FARINGITE E AMIGDALITE

Faringite é a inflamação da faringe, a região posterior da garganta visível ao abrir a boca. Amigdalite é a inflamação das amígdalas, as estruturas arredondadas de tecido linfático localizadas em cada lado da garganta. Na prática, as duas condições frequentemente coexistem e são chamadas de faringoamigdalite.

As amígdalas fazem parte do sistema imunológico e funcionam como uma barreira de defesa contra agentes infecciosos que entram pela boca e pelo nariz. Por isso, é natural que inflamam diante de infecções respiratórias. Em crianças, as amígdalas são proporcionalmente maiores e mais ativas do que em adultos, o que explica a maior frequência de episódios nessa faixa etária.

QUAL A DIFERENÇA ENTRE CAUSA VIRAL E BACTERIANA

A distinção entre faringoamigdalite viral e bacteriana é clinicamente importante porque determina o tratamento correto:

A faringoamigdalite viral é a mais comum em todas as idades, especialmente em crianças abaixo de três anos. É causada por diversos vírus respiratórios como adenovírus, rinovírus, vírus influenza e vírus Epstein-Barr, responsáveis pela mononucleose infecciosa. O tratamento é sintomático e a doença se resolve espontaneamente em cinco a sete dias.

A faringoamigdalite bacteriana é causada principalmente pelo Streptococcus pyogenes, também chamado de estreptococo do grupo A. Representa cerca de 15 a 30% dos casos em crianças em idade escolar. Exige tratamento com antibiótico para aliviar os sintomas mais rapidamente, prevenir complicações e evitar o contágio.

COMO IDENTIFICAR OS SINTOMAS EM CRIANÇAS

Os sintomas da dor de garganta variam conforme a causa e a idade da criança. Em geral, os mais comuns são:

  • Dor ao engolir, que pode ser intensa o suficiente para levar à recusa alimentar

  • Vermelhidão na garganta e nas amígdalas

  • Febre, que pode variar de leve a alta

  • Voz alterada, mais rouca e abafada

  • Mau hálito

  • Gânglios no pescoço aumentados e dolorosos ao toque

  • Dificuldade para engolir ou abrir a boca completamente em casos mais graves

Em crianças muito pequenas, os sintomas podem ser inespecíficos, com choro, recusa alimentar, irritabilidade e febre sem que a criança consiga apontar onde dói.

SINAIS QUE SUGEREM ORIGEM VIRAL

Algumas características clínicas orientam para uma causa viral:

  • Início gradual dos sintomas

  • Presença de coriza, tosse, rouquidão e conjuntivite, sintomas típicos de resfriado

  • Úlceras ou vesículas na boca e na garganta, sugestivas de herpangina ou estomatite herpética

  • Manchas avermelhadas no palato sem exsudato nas amígdalas

  • Criança abaixo de três anos, faixa etária em que a causa viral predomina amplamente

  • Ausência de febre alta ou febre de curta duração

SINAIS QUE SUGEREM ORIGEM BACTERIANA

As características clínicas que aumentam a suspeita de infecção estreptocócica incluem:

  • Febre alta de início súbito, geralmente acima de 38,5°C

  • Amígdalas muito avermelhadas com pontos brancos ou amarelados de pus, chamados de exsudato

  • Ausência de tosse, coriza e outros sintomas de resfriado

  • Gânglios cervicais anteriores aumentados e dolorosos

  • Criança em idade escolar, entre cinco e quinze anos, faixa de maior risco para estreptococo

  • Língua com aspecto de “morango”, mais vermelha e com papilas evidentes, sinal clássico da escarlatina estreptocócica

  • Erupção cutânea fina e áspera ao toque, característica da escarlatina

A presença de vários desses sinais aumenta a probabilidade de infecção bacteriana, mas o diagnóstico definitivo exige confirmação laboratorial.

COMO O DIAGNÓSTICO É CONFIRMADO

O pediatra avalia a garganta da criança com uma espátula e luz, observando o aspecto das amígdalas, da faringe e do palato. Com base no exame clínico, utiliza critérios padronizados, como os Critérios de Centor modificados, para estimar a probabilidade de infecção estreptocócica.

Para confirmação, dois exames estão disponíveis:

  • Teste rápido de antígeno estreptocócico: realizado com swab da garganta, fornece resultado em 5 a 10 minutos. Alta especificidade, mas sensibilidade variável.

  • Cultura de orofaringe: padrão-ouro para diagnóstico de estreptococo. Resultado em 24 a 48 horas. Reservado para casos em que o teste rápido é negativo mas a suspeita clínica permanece alta.

QUANDO O ANTIBIÓTICO É INDICADO

O antibiótico é indicado apenas quando há confirmação ou forte suspeita clínica de infecção estreptocócica. As principais indicações são:

  • Teste rápido ou cultura positivos para Streptococcus pyogenes

  • Critérios clínicos muito sugestivos de estreptococo em crianças de alto risco

  • Presença de escarlatina associada

A amoxicilina continua sendo o antibiótico de primeira escolha, com duração de dez dias. Em casos de alergia à penicilina, outras opções são prescritas pelo médico. O ciclo completo deve ser feito mesmo após a melhora dos sintomas, que costuma ocorrer em dois a três dias após o início do tratamento.

Dor de garganta viral não se beneficia de antibiótico. Prescrevê-lo nessa situação não acelera a melhora, expõe a criança a efeitos colaterais desnecessários e contribui para o desenvolvimento de bactérias resistentes.

COMO ALIVIAR OS SINTOMAS EM CASA

Independentemente da causa, algumas medidas ajudam a aliviar o desconforto da criança:

  • Oferecer paracetamol ou ibuprofeno na dose correta para o peso para controle da dor e da febre

  • Oferecer líquidos frios ou em temperatura ambiente com frequência, como água, sucos e sorvetes, que ajudam a hidratar e aliviar a dor ao engolir

  • Dar preferência a alimentos macios e frios ou mornos, como vitaminas, iogurte e purês

  • Evitar alimentos duros, ácidos ou muito quentes que irritam a garganta inflamada

  • Manter o ambiente úmido para evitar ressecamento da mucosa

  • Oferecer mel para crianças acima de um ano, que tem propriedades anti-inflamatórias naturais e pode aliviar a dor de garganta

O QUE É FEBRE REUMÁTICA E POR QUE PREVENI-LA

A febre reumática é a principal complicação da faringoamigdalite estreptocócica não tratada ou inadequadamente tratada. É uma doença inflamatória que pode afetar o coração, as articulações, a pele e o sistema nervoso, ocorrendo geralmente de duas a quatro semanas após a infecção de garganta.

A complicação cardíaca, chamada de cardite reumática, pode causar danos permanentes às válvulas do coração, levando à doença cardíaca reumática crônica. Essa é uma das principais causas de cirurgia cardíaca em jovens no Brasil.

O tratamento completo da faringoamigdalite estreptocócica com antibiótico por dez dias é a medida mais eficaz para prevenir a febre reumática. Por isso, completar o ciclo de antibiótico mesmo após a melhora dos sintomas não é opcional, é essencial.

AMIGDALITE DE REPETIÇÃO E QUANDO OPERAR

Considera-se amigdalite recorrente quando a criança apresenta sete ou mais episódios documentados em um ano, cinco ou mais episódios por ano durante dois anos consecutivos, ou três ou mais episódios por ano durante três anos consecutivos.

Nesses casos, a amigdalectomia, cirurgia de retirada das amígdalas, pode ser indicada. Outros fatores que pesam na decisão cirúrgica incluem:

  • Amígdalas muito aumentadas que causam dificuldade para respirar, engolir ou dormir

  • Apneia obstrutiva do sono associada à hipertrofia amigdaliana

  • Abscesso periamigdaliano de repetição

  • Suspeita de malignidade

A decisão pela cirurgia é individualizada e feita pelo otorrinolaringologista em conjunto com os pais, considerando a frequência dos episódios, o impacto na qualidade de vida e as condições clínicas da criança.

ERROS COMUNS QUE PAIS COMETEM

  • Pedir antibiótico sem diagnóstico confirmado: a pressão dos pais por antibiótico é compreensível, mas o tratamento sem necessidade faz mal à criança e à saúde coletiva.

  • Interromper o antibiótico após dois ou três dias de melhora: a interrupção precoce não elimina completamente a bactéria e aumenta o risco de recidiva e de complicações como a febre reumática.

  • Usar antibiótico sobrado de episódio anterior: dose, duração e tipo de antibiótico variam conforme o caso. Automedicação com antibiótico é sempre inadequada.

  • Ignorar episódios frequentes sem buscar avaliação especializada: a amigdalite recorrente tem solução e não precisa ser encarada como algo que a criança simplesmente “tem que passar”.

  • Confundir amígdalas grandes com amígdalas doentes: amígdalas hipertrofiadas são comuns em crianças e não indicam, por si só, necessidade de cirurgia. O que importa é o impacto funcional e a frequência de infecções.

SINAIS DE ALERTA QUE EXIGEM AVALIAÇÃO IMEDIATA

Leve a criança ao médico com urgência se apresentar:

  • Dificuldade intensa para engolir a própria saliva

  • Sialorréia, excesso de saliva escorrendo pela boca por dificuldade de engolir

  • Voz abafada como se a criança tivesse “batata quente” na boca, sugestivo de abscesso

  • Incapacidade de abrir a boca normalmente, chamada de trismo

  • Dificuldade para respirar ou respiração ruidosa

  • Inchaço assimétrico visível em um lado da garganta

  • Febre alta que não cede com antitérmico após 48 horas de antibiótico

  • Criança muito prostrada, recusando qualquer líquido

Esses sinais podem indicar abscesso periamigdaliano ou retrofaríngeo, complicações que exigem drenagem cirúrgica e internação hospitalar.

ATENDIMENTO PEDIÁTRICO NO ENTORNO DO DISTRITO FEDERAL

A dor de garganta recorrente em crianças merece avaliação pediátrica presencial. Em Águas Lindas de Goiás e no Entorno do Distrito Federal, clínicas com atendimento pediátrico e otorrinolaringológico estão disponíveis para diagnóstico preciso, orientação sobre o tratamento correto e acompanhamento das crianças com episódios frequentes.

Uma avaliação adequada evita tanto o uso desnecessário de antibióticos quanto às complicações de infecções bacterianas não tratadas. O pediatra é o profissional mais indicado para orientar os pais em cada episódio.

CONCLUSÃO

Nem toda dor de garganta é igual e nem toda dor de garganta precisa de antibiótico. Essa distinção, aparentemente simples, tem consequências importantes para a saúde da criança e para a saúde pública. Tratar adequadamente uma infecção estreptocócica protege o coração da criança. Não tratar uma infecção viral com antibiótico protege seu intestino, sua microbiota e contribui para um mundo com menos resistência bacteriana.

A melhor atitude dos pais diante de uma dor de garganta é levar a criança ao pediatra, deixar que o profissional examine e, se necessário, realizar o teste rápido. A decisão pelo antibiótico deve ser médica, baseada em critérios clínicos e laboratoriais, não em pressão ou ansiedade.

Com informação correta e acompanhamento adequado, a dor de garganta passa. E a criança fica mais forte, mais protegida e com um sistema imunológico que aprendeu a se defender.

PERGUNTAS FREQUENTES

  1. Amígdalas com pus significa sempre que precisa de antibiótico?
    Não necessariamente. Algumas infecções virais, como a mononucleose infecciosa causada pelo vírus Epstein-Barr, podem causar exsudato nas amígdalas semelhante ao bacteriano. O teste rápido ou a cultura ajudam a diferenciar os casos e orientar o tratamento correto.
  2. Criança com dor de garganta pode ir à escola?
    Em caso de infecção estreptocócica, a criança deve ficar em casa até completar 24 horas de antibiótico e estar sem febre. Nas infecções virais, o retorno pode ser feito quando a criança estiver se sentindo bem, sem febre e sem comprometer outras crianças com sintomas ativos.
  3. O mel realmente ajuda na dor de garganta?
    Sim, em crianças acima de um ano. Estudos mostram que o mel tem propriedades anti-inflamatórias e pode aliviar a dor de garganta e a tosse. É contraindicado em bebês abaixo de um ano pelo risco de botulismo infantil.
  4. Mononucleose infecciosa é o mesmo que amigdalite?
    A mononucleose infecciosa, causada pelo vírus Epstein-Barr, pode se manifestar com amigdalite intensa, febre alta, gânglios aumentados e cansaço acentuado. É uma doença viral que não responde a antibióticos e pode se prolongar por semanas. O diagnóstico é feito por exame de sangue.
  5. Por que não devo dar antibiótico para meu filho sem receita?
    O uso inadequado de antibióticos desequilibra a microbiota intestinal da criança, pode causar reações alérgicas, seleciona bactérias resistentes e não traz benefício algum em infecções virais. Além disso, o antibiótico correto, na dose certa e pelo tempo adequado, só pode ser determinado pelo médico após avaliação.
  6. Garganta vermelha sem febre precisa de médico?
    Nem sempre. Garganta vermelha sem febre, sem exsudato e com outros sintomas de resfriado em criança bem-disposta pode ser manejada com medidas sintomáticas e observação. Se os sintomas persistirem por mais de cinco dias ou a criança piorar, a avaliação pediátrica é necessária.
  7. Qual a diferença entre faringite e laringite?
    A faringite é a inflamação da faringe, a parte posterior da garganta. A laringite é a inflamação da laringe, a caixa de voz, e se manifesta principalmente com rouquidão intensa ou perda da voz. As duas condições podem coexistir e têm causas semelhantes, predominantemente virais.
  8. Criança que retira as amígdalas fica mais doente?
    Não. As amígdalas têm função imunológica, mas não são insubstituíveis. O sistema imunológico tem outros mecanismos de defesa que compensam sua ausência. Crianças submetidas à amigdalectomia com indicação correta geralmente apresentam melhora significativa na qualidade de vida, com menos episódios de infecção e melhor qualidade do sono.

 

Este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação individual em consulta médica. Cada caso é único e deve ser analisado por um profissional de saúde qualificado. Conteúdo revisado pela equipe médica do Centro Clínico Santa Mônica, Águas Lindas de Goiás.

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